Entrevista com Dr. Maurício Horiguela, Psiquiatra e Diretor Médico no Hospital Jequitibá em Atibaia – SP

Entrevista com Dr. Maurício Horiguela, Psiquiatra e Diretor Médico no Hospital Jequitibá em Atibaia – SP
Dr. Mauricio Horiguela, Psiquiatra e Diretor Médico no Hospital Jequitibá em Atibaia–SP de tratamento em dependência química e alcoolismo.

– Dr. Maurício, por que a Clínica Jequitibá criou uma ala hospitalar exclusiva para pacientes em internação involuntária?

– A Clínica Jequitibá criou uma ala hospitalar exclusiva para pacientes em internação involuntária para atender à necessidade de oferecer um ambiente adequado, seguro e estruturado para pessoas que, em razão do seu quadro clínico, não possuem condições psicológicas de decidir pelo próprio tratamento.

– Além da necessidade assistencial, a criação dessa ala atende às exigências da legislação vigente. Com a atualização das normas e a adequação da clínica aos requisitos legais, passou a ser possível realizar internações involuntárias de forma regular, respeitando todos os critérios estabelecidos pela lei e pelas regulamentações sanitárias.

Essa adequação transformou a estrutura em uma ala hospitalar, preparada para oferecer o cuidado necessário a esses pacientes, garantindo segurança, qualidade no atendimento e conformidade com a legislação aplicável.

– Em quais situações a internação involuntária é indicada e como ela funciona na prática?

– A internação involuntária é indicada quando o paciente representa risco para si mesmo ou para outras pessoas, especialmente em situações em que o uso de substâncias ou um transtorno mental compromete sua capacidade de reconhecer a necessidade de tratamento e de tomar decisões conscientes. – Na prática, esse tipo de internação segue critérios legais e médicos rigorosos. Ela só é realizada quando há indicação clínica e necessidade de intervenção para preservar a vida, a saúde e a segurança do paciente e de terceiros. – O tratamento é semelhante ao de uma internação voluntária, porém exige um acompanhamento médico ainda mais criterioso e uma equipe preparada para lidar com casos de maior gravidade. Dependendo da condição clínica, pode ser necessário o uso de recursos terapêuticos específicos, como medicações injetáveis e monitoramento intensivo, sempre com o objetivo de estabilizar o paciente e possibilitar sua recuperação. – Em outras palavras, a internação involuntária é uma medida de proteção. Quando o paciente não consegue buscar ajuda por conta própria e sua condição representa um risco significativo, torna-se necessária uma intervenção especializada para garantir um tratamento seguro, ético e baseado nas necessidades clínicas de cada caso.

– Quais são os principais diferenciais da nova ala hospitalar e como ela contribui para a recuperação do paciente?

– O principal diferencial da nova ala hospitalar é oferecer uma estrutura preparada para atender pacientes com maior grau de gravidade, especialmente aqueles que necessitam de internação involuntária. Trata-se de um ambiente que reúne segurança, assistência especializada e uma equipe capacitada para conduzir casos que exigem acompanhamento médico e psiquiátrico mais intensivo. – Essa estrutura permite um tratamento mais completo e criterioso, com monitoramento contínuo, avaliação clínica frequente e a possibilidade de utilizar os recursos terapêuticos mais adequados para cada paciente, sempre respeitando os protocolos médicos e a legislação vigente. – Além disso, a ala hospitalar proporciona maior estabilidade durante a fase mais crítica da doença. Como muitos pacientes, nesse momento, não conseguem reconhecer a necessidade do tratamento, a equipe pode conduzir o cuidado de forma segura e responsável, evitando interrupções precoces que poderiam comprometer a recuperação.

O objetivo é oferecer um tratamento mais eficaz, humanizado e baseado em critérios técnicos, aumentando as chances de estabilização do paciente e favorecendo uma recuperação consistente e duradoura.

Que mensagem o você deixaria para as famílias que estão enfrentando esse momento e têm receio de buscar ajuda?

– A mensagem que eu deixo para as famílias é: – Não tenham medo de buscar ajuda. Eu sei que esse é um momento extremamente difícil, cheio de dúvidas, culpa, medo e sofrimento. Mas é importante lembrar que a dependência química e os transtornos relacionados são doenças, e, como qualquer outra doença grave, precisam de tratamento especializado. – A primeira coisa que peço é que confiem no nosso trabalho e na nossa intenção. Nosso compromisso é cuidar do seu filho, do seu pai, do seu esposo ou de qualquer ente querido com respeito, dignidade e acolhimento. – Assim como um hospital trata pessoas em risco de vida por outras doenças, nós tratamos pessoas que muitas vezes estão colocando a própria vida em risco por causa da dependência química.

– A internação, quando realmente indicada, não deve ser vista como um castigo, mas como uma oportunidade de recomeço. É um ato de cuidado, proteção e amor, que pode representar a chance de recuperar a saúde, a autonomia e a qualidade de vida.

Ao longo de mais de 50 anos de atuação como médico, sempre tive um propósito muito claro: -Tratar cada paciente com respeito, ética e humanidade. Jamais tratar mal uma pessoa que está sofrendo.

– Além da minha experiência, nossa clínica conta com uma equipe multidisciplinar altamente qualificada, em constante atualização científica, porque acreditamos que ninguém faz esse trabalho sozinho.

As famílias podem confiar que encontrarão uma equipe preparada para acolher, orientar e oferecer o melhor tratamento possível, sempre baseado na ciência, na experiência e, acima de tudo, no respeito à vida e à dignidade de cada paciente.

Dr. Maurício Morales Horiguela
CRM/SP 19733 RQE 68098
Psiquiatra | Diretor Médico

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